Oba! É tempo de comer peixe!

Cuidado, você pode estar deturpando o sentido da Quaresma


A cada ano que passa o sentido do jejum feito pelos cristãos no período da Quaresma tem se confundido cada vez mais com uma simples e prazerosa mudança de cardápio. Ao invés de comer carne vermelha, muitas pessoas iludem-se comendo carne branca, achando que dessa forma estão fazendo uma abstinência.

Convenhamos, existe algum sacrifício em comer um delicioso prato de peixe? Para aqueles que não gostam seria sim! Mas e aqueles que gostam muito de peixe? Ou ainda, os que preferem peixe que carne vermelha? Será que o simples gesto de comer peixe caracteriza o jejum e a abstinência?

Entendendo a Quaresma
Na Quaresma, a Igreja Católica nos convida a refletir e vivenciar o período de quarenta dias que Jesus passou no deserto (Lucas 4, 1-13). Durante esse tempo, ele nada comeu e foi tentado pelo demônio a desistir do seu propósito de salvação para a humanidade. Mas, mesmo diante das dificuldades, manteve-se firme até o inimigo se apartar.

Como não podemos ficar sem comer nada durante quarenta dias, como fez Jesus, a Igreja pede que pratiquemos o jejum, a esmola e a oração, que exprimem a conversão em relação a si mesmo, a Deus e aos outros (Catecismo da Igreja Católica 1434). Essas três obras de caridade devem ser exercidas com bastante intensidade durante o Tempo Quaresmal.

Por que jejuar?
Quaresma é tempo de conversão, de mudança de vida e de abandono dos maus-hábitos que levam a pecar. O jejum e a abstinência contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração (CIC 2043). Portanto, os sacrifícios que fazemos só terão sentido e eficácia se estivermos com esse intuito de renúncia ao pecado.

Por isso devemos analisar bem o nosso procedimento nesse precioso tempo litúrgico. Estamos optando pelo peixe ao invés da carne vermelha como uma forma de abstinência ou simplesmente desfrutando das delícias da carne branca? Comer peixe está sendo um sacrifício ou uma alegria?

Tempo de mudança radical
A conversão e a penitência que Jesus pede que façamos não visam em primeiro lugar os jejuns e as mortificações, mas sim a conversão do coração e a penitência interior, que é uma reorientação radical de toda a vida e uma ruptura com o pecado. Ao mesmo tempo, é o desejo de mudar de vida com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda de sua graça. (CIC 1430-1431).

Economia e Vida
Não podemos esquecer que o jejum é apenas um dos três pilares da penitência interior, além dele temos a oração e a caridade. Mas qual o motivo de todo esse sacrifício? “Boa coisa é a oração acompanhada de jejum (...), a esmola livra da morte: ela apaga os pecados e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna” (Tobias 12, 8-9). “A caridade cobre a multidão dos pecados” (Provérbios 10,12).

A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010 tem como tema Economia e Vida, onde traz uma reflexão a respeito da forma com que estamos lidando com o nosso dinheiro. Se quisermos viver bem esse período de Quaresma, devemos fazer nosso jejum acompanhado da caridade, pois nas nossas cidades tem inúmeras pessoas impossibilitadas de fazer algum tipo de abstinência por não terem nada o que comer.

Oração
Não podemos esquecer também da oração, pois sem ela é impossível cumprirmos nosso propósito de conversão. Seguindo o exemplo de Jesus (Lucas 4,1), devemos estar cheios de Espírito Santo para podermos encerrar essa Quaresma vitoriosos. Assim, na grande festa da Ressurreição de Cristo, a Páscoa, podermos glorificar o nosso Rei com o coração puro e limpo.

Rodrigo Martins

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